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Associação Campinense de Psicanálise |
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Ciclo de Debates A Psicose: Teoria e Clínica
Casos Clínicos Durval Checchinato
O termo psicose foi introduzido pelo psiquiatra austríaco Ernest Von Feuchtersleben em 1845 para substituir o nome loucura. Michel Foucault, os antipsiquiatras, os psicanalistas lacanianos (essencialmente M. Mannoni, Serge Leclaire) se pautaram por preservar o termo genérico de loucura. A loucura faz parte da existência humana. Ela é mesmo o limite do humano. Doença não física ou fisiológica, ela ataca a mente e altera o seu funcionamento, impedindo o sujeito de administrar sua subjetividade. Trata-se de uma cisão na própria fenda da subjetividade do fal’ente: algo dramático, de efeito grave. A partir dos anos 1960 os antipsiquiatras Lang, Cooper, Basaglia e os psicanalistas lacanianos passaram a encarar a loucura como uma saída de saúde do sujeito humano. O próprio Freud em ‘’Construção em Análise’’ já propusera que a psicanálise não tinha porque não considerar o delírio como expressão da subjetividade do louco e que importava tratá-lo como as demais manifestações do inconsciente. O delírio, a alucinação, são confeccionados a partir de material inconsciente. Lacan fez um seminário sobre a loucura e escreveu em seus Escritos um artigo precioso: ‘’Do Tratamento Possível da Psicose’’. A partir daí os psicóticos passaram a ser recebidos em consultórios. Aos psicóticos não ainda cronificados abriu-se uma porta com resultados auspiciosos. O difícil, como aliás em toda prática analítica, é criar uma nova psicanálise com cada paciente. Lacan abre o segredo da partida: ‘’Comecem por não compreender’’. Vejamos como essa prática se passa em dois casos com remissão. |