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Sonhos – de Freud a Lacan PDF Imprimir E-mail
Atividades - Seminários
A interpretação hoje
Sexta-feira | 8h00 às 9h45 (quinzenal)
Início: 12/03/2010 (1º semestre) | 13/08/2010 (2º semestre)

Coordenação: Lucia Bertazzoli

 

Freud fala sobre “o umbigo do sonho” em uma nota de rodapé na interpretação que faz do sonho da injeção de Irma: “... existe pelo menos um ponto em todo o sonho no qual ele é insondável – um umbigo, por assim dizer, que é seu ponto de contato com o desconhecido.” (1) E diz mais, “...é num certo lugar em que essa malha é particularmente fechada que o desejo onírico se desenvolve, como um cogumelo de seu micélio. O obscuro do sonho a ser deixado sem interpretação é o que move o desejo”. (2).

Em Freud toda interpretação gera necessariamente um sentido. Assim também em Lacan, quando prioriza compreender as relações significantes. Mas Lacan aponta também para a impossibilidade de simbolização do real, que, impermeável à interpretação continua sempre a insistir, a ex-sistir. O obscuro do sonho movendo o desejo, o real impossível de simbolização. Temos algo a refletir aqui no que se refere à interpretação em análise.

Interpretar um sonho já não é mais compreendê-lo. Talvez possamos dizer: “é jamais compreendê-lo...” De que se trata então? Interpretamos também a fantasia, o sintoma, o chiste? Quem interpreta? O que se interpreta? Será possível interrogar sobre o percurso da psicanálise no caso específico da interpretação dos sonhos? Que luz a teoria lacaniana lança a essa reflexão?

Partindo de A Interpretação dos Sonhos discutiremos os caminhos possíveis de escuta e interpretação nos dias de hoje.

Fica aqui o convite para essa reflexão.

 

Leituras iniciais:

- Freud, S. “A interpretação dos sonhos”, 1900, na tradução de sua preferência.

- Bataille, L.“O Umbigo do sonho” – Por uma prática da Psicanálise, Jorge Zahar Editor

- Comentários de Lacan sobre os sonhos serão apontados durante as discussões.

 

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(1) Freud, Obras Completas, livro IV, pág. 119, nota 2

(2) Freud, Obras Completas, livro V, pág. 560. micélio: corpo vegetativo da maioria das espécies de fungos, composto de hifas agrupadas ou emaranhadas. (Houaiss)